Calçada Portuguesa

LOCAIS:

Lisboa, Portugal​

Rio de Janeiro, Brasil

Macau, China

Luanda, Angola

Maputo, Moçambique

Calçada, s. f. arruamento cujo pavimento é revestido por pequenos elementos de um material duro; ladeira; rua calçada. (Part. pass. fem. subst. de calçar).

Calçar v. tr. empedrar; calcetar; pôr calço em; firmar; ajustar-se. (Do lat. calceãre «calçar»)

IMPACTO AMBIENTAL:

A calçada é um pavimento exterior totalmente de origem mineral, onde não é usada energia para a sua concepção, somente na sua extracção ao invés de outras soluções como: parquet,  betão ou betão betuminoso que passam por vários processos e que levam a elevados gastos energéticos e detritos ou desperdícios poluentes.

 

No processo construtivo da calçada, não é necessário qualquer produto não natural, ao passo que no fabrico de betuminoso são utilizados combustíveis fósseis, quer para aquecer o betume, quer para aquecer a mistura, o que leva a um enorme consumo e poluição.

 

Verifica-se na calçada a possibilidade de reutilização ou reviragem, não havendo necessidade de destruir o material no seu fim de vida.

A visita e acesso a infra-estruturas no subsolo são facultadas pelo seu modus operandi construtivo, sendo a sua posterior reutilização e reposição quase imperceptível. 

As características de respiração e infiltração que este pavimento tem, são hoje mais do que nunca admiradas nas cidades, devido às alterações climáticas, inundações e "ilhas de calor", verificando-se a redução da evaporação e a retenção de bons níveis de humidade necessários ao subsolo, podendo nela andar descalço.

A calçada é uma metodologia ancestral, durável e amiga do ambiente ao contrário das restantes alternativas do mercado.

PEDRAS:

Basalto;
Calcário;
Granito;

Arenito (grés);

TAMANHO DA PEDRA:

1/1

NOMES DAS PEDRAS:

1/1

TÉCNICAS:

À antiga portuguesa;

Fiada ou quadrado;
Malhete;

Sextavado.

EXECUÇÃO:

A preparação dos terrenos onde se devem construir os pavimentos é tema que muito deve ser tomado em boa conta pelos construtores, a fim de se evitar os assentamentos, as aberturas de fendas, os escorregamentos e outros prejuízos de menor importância, mas sempre fatais, que se observam em tantas obras.

Aberta a caixa destinada a receber a calçada, como sucede com todos os outros pavimentos exceptuando, é claro, os sobrados de madeira, procede-se ao respectivo trabalho, batendo primeiramente todo o terreno.

Se o terreno a calcetar ou a empedrar for de grande superfície faz-se todo o seu calçamento com um cilindro mecânico ou de tracção animal, mas se se tratar de uma pequena extensão emprega-se simplesmente o maço de madeira manual.

As calçadas poderão ser executadas com pedra por vários sistemas e também com cubos ou paralelepípedos de madeira.

Os calçamentos mais usados no nosso país são os de pedra. Os sistemas vulgares são os dos empedrados de macadame(*) e as calçadas propriamente ditas com pedra britada de calcário e de basalto.

Não são à primeira vista as calçadas obras de construção civil, mas os pátios e as caves carecem muitas vezes desses pavimentos, que é por conseguinte útil conhecer.

(*) O vocabulário macadame deriva do nome do engenheiro francês Mac Adam que criou este tipo de calçada.

EMPEDRADO DE MACADAME

O empenhamento ou calçada à macadame consiste simplesmente em depositar-se pedra britada ou cascalho na caixa destinada a pavimentar com altura indicada no projecto.

Seguidamente procede-se ao calcamento da pedra por meio de cilindro pesado, para que esta camada assás espessa fique bem comprimida. Finaliza-se a obra espalhando uma camada de saibro ou de areia amarela poor cima de toda a brita, que também deverá ser calcada com cilindro. Nas margens da calçada onde o cilindro não pode chegar faz-se o calcamento por meio do maço de madeira.

O terreno da caixa deve ser molhado, bem como a camada de brita e a superfície da areia ou do saibro.

CALÇADA DE BASALTO

Com pedra de basalto quebrada em fragmentos de cerca de 0,10 pouco mais ou menos, em volume, faz-se uma calçada de grande resistência e de simples execução.

Sobre a caixa no terreno a calcetar espalha-se areia e sobre esta camada vão-se dispondo as pedras deixando o lado melhor facetado para cima. A junção das pedras faz-se encostando as melhores faces de umas às outras conchegando-as com um camartelo.

Finalmente espalha-se areia por sobre a calçada a fim de preencher e tapar as juntas entre as pedras.

O calçamento por meio de cilindro mecânico garante a resistência da calçada.

 

CALÇADA A CUBOS DE PEDRA

Preparada a caixa para o pavimento com o seu fundo bem batido a maço ou calcado com cilindro e molhado, procede-se da mesma maneira como para a calçada a basalto, espalhando a areia necess​ária para receber os cubos ou paralelepípedos de pedra.

A pedra para os cubos deve ser de granito pois que a sua dureza é garantida e a sua duração eterna.

Terminada a calçada e devidamente calcada pelo cilindro pode proceder-se a aplicação de qualquer indulto betuminoso sobre a sua superfície.

É esta uma das melhores calçadas para o ar livre.

CALÇADA À PORTUGUESA

Designa-se calçada à portuguesa o empedrado feito com pequenos fragmentos de calcário que vulgarmente se chamam vidraço.

A maneira de realizar esta calçada é completamente idêntica às das outras calçadas. Com arei espalhada na caixa vão-se ajustando as pequeninas pedras que se batem com o camartelo levemente e acompanham-se com areia, tapando as juntas. No final bate-se toda a calçada a maço.

è corrente nestes empedrados aplicar-se desenhos geométricos e de outros efeitos, letras, gregas, etc., que se obtêm empregando pedras de basalto, que se destacam do vidraço que é claro.

Estes fragmentos de calcário e basalto não medem mais que 0,03 ou 0,04 de superfície.

Estes empedrados artísticos são muito empregados na calçada de passeios. A bordadura dos passeios é conseguida com a utilização de lancis de cantaria (Fig. 25).

Os traçados a executar com pedra preta — basalto, são objecto de cérceas de madeira que assentam no terreno e formam os desenhos desejados. Aplica-se todo o empedrado de fundo com pedra branca — o vidraço, em volta da forma do desenho (Fig. 26) e quando este trabalho estiver concluído tira-se a grade de madeira e enche-se o seu espaço com pedra preta.

As valetas são também revestidas com estes empedrados, empregando-se geralmente só vidraço.

A largura das valetas nestes empedrados mede geralmente 0,40 de largura.

ANOTAÇÕES

Todas as superfícies calcetadas de empedrado à portuguesa quando cobertas poderão ser niveladas em todos os sentidos, mas quando são construídas ao ar livre, expostas por conseguinte a chuva, devem ficar inclinadas, embora levemente, para escoante das águas. Se se tratar da calçada de uma rua ou pátio a superfície deverá ficar abaulada para que as águas pluviais ou de lavagem escoem para ambos os lados, para as respetivas valetas que as conduzirão às sargetas.

Em todos os tipos de calçada se deve observar o declive por causa das águas pluviais. O mais indicado é quase sempre o abaulamento. O que se faz para as calçadas pratica-se também em todos os pavimentos revestidos expostos ao ar livre.

É uma regra comum.

Costa, F. (1955). Pavimentos Diversos. Enciclopédia Prática da Construção Civil. Caderno 18 pág. 15 e 16, Portugália Editora, Lisboa.

TÉCNICAS DO PREENCHIMENTO DO PANO:

Puxado à antiga portuguesa;

Puxado à fiada ou quadrado;
Puxado a malhete;

Puxado a sextavado;

Puxado à portuguesa clássica (em passeios, a 45 graus ao lancil);
Puxado a basalto (irregular, mais difícil de talhar);
Puxado a cubos (pedra grossa);

Puxado a conchas ou vieiras;

Puxado a mista (intercaladas entre cores e tipos de pedra)

FERRAMENTAS:

dos Calceteiros:

Banquinho;

Camartelo;

Cordel;

Martelo de bico ou de passeio (em aço temperado);

Marreta;

Moldes;

 

dos Batedores:

Carrinho de mão (partilhado com os Serventes);

Cavilhas de fixação de moldes;

Forquilha;

Maço (pesa entre 20 e 25Kg, no manuseamento do maço, este gira para não desgastar só de um lado, como os sapatos);

Pá;

Picareta;

Regador;

Vassoura;

TERMOS:

À sorte - assentar calçada sem critério. 

Acamar - base de areão ou saibro e caliça. (ver Caixa)

Aparelhar - fracturar a pedra na palma da mão. 

Aperto - compactação geral do pano com o maço.

Bico, Triângulo ou Canto - pedra de forma triangular, de arranque de fiada. 

Caixa - escavado com cama de areão ou caliça para receber as pedras.

Desempenar - alisamento do pano com o maço.

Dobrar o molde - preencher em volta do molde.

Encalhamento - lançamento rectilíneo das fiadas de pedra, usual na técnica de assentamento da Calçada Portuguesa Clássica.

Enxandrar - distribuição das pedras em malhete.

Fantasia - detalhes executados, a consentimento do empreiteiro, com carácter único ou repetitivo. Encontram-se principalmente no preenchimento de um grande desenho, sob a forma de Botão, Singelo ou de Fantasia, ou Quadrado Rico.

Mestras - linhas de apoio das fiadas.

Moldes - negativos em madeira ou contraplacado. O mesmo que Cércea ou Grade. 

Nega - ponto em que as pedras calcetadas já acertaram com o lancil.

Pano - superfície empedrada ou a empedrar.

Puxado a… - técnica do preenchimento do pano.

Recalque - efeito do maço no empedrado quando este altera a superfície calcetada.

Reviragem - é o acto de levantar um empedrado e a exposição ao tráfego de uma face não polida.

Xadrez - designação dada ao mosaico preto e branco da calçada.

ELEMENTOS DECORATIVOS: (taxonimia)

Barca de São Vicente;

Estrela;

Florão;